Eis-me, tendo-me despido de todos os meus mantos tendo-me separado de adivinhos, mágicos e deuses Para ficar sozinha ante o silêncio Ante o silêncio e o esplendor da tua face Mas tu és de todos os ausentes O ausente Nem o teu ombro me apoia Nem a tua mão me toca
Esse corpo desnudo
descoberto pela vergonha
me deixa mudo
ao sentir seu calor
Quero o teu tudo
até o que você sonha
deixe que eu me iludo
ao sentir seu amor
Perfume de flor
cheiro de corpo suado
me perco nesse odor
ao tentar te tocar
Lhe tomo esse valor
o teu corpo adequado
não deixo tu sentir dor
O que quero é só te amar.
O meu coração desce as escadas
Do tempo em que não moras
E o teu encontro
São planícies e planícies de silêncio
Escura é a noite
Escura e transparente
Mas o teu rosto está para lá do tempo opaco
E eu não habito os jardins do teu silêncio
Porque tu és de todos os ausentes,
O ausente.
Você tem medo de fazer amor comigo
Você tem medo de acordar
E ver no espelho escrito com batom:
- Tchau trouxa, foi bom!
Você não sabe o que eu faço o dia inteiro
Ah, não posso mais
Não me pergunte nada, me deixe apenas vendo
Seu corpo lindo vindo para mim
E não se esconda tanto, pois o seu corpo chama
Um outro corpo solto sobre o seu que eu bem sei
É o meu
Mesmo tentando jamais conseguirá
Não me desejar
Violenta
Arranhar tua pele
Sedenta
Beber teu suor
Lenta
Torturar sem chegar
Pimenta
Fazer arder às mucosas
Menta
Refrescar tua boca
Sonolenta
Cair de exaustão
Tenta
Sair da minha chave
Venta
O bafo quente no cangote
...e morde!